Áudio em palavras simples
Você não precisa virar técnico de som. Mas entender algumas poucas ideias muda o resultado — e faz o TuneBox render o máximo.
Microfonia e som embolado nos eventos: o que resolver ANTES de mexer no equalizador
Meu nome é Uriel, sou técnico de som com quase três décadas de estrada, autor dos livros Alinhamento de Som com REW e Gravação, Mixagem e Masterização com REAPER, e boa parte da minha caminhada foi justamente em som para eventos indoor.
Vejo os mesmos problemas se repetirem nos mais diversos ambientes: microfonia do nada, voz que não chega inteligível no fundo, grave embolado. Nenhum equipamento faz milagre sem a lição de casa: a prevenção passiva — posicionamento e método — vem sempre primeiro, e não custa um real. Mas ela tem um limite: a sala continua impondo reflexões, ressonâncias e frequências que realimentam, e nada disso se corrige de ouvido. É aí que o TuneBox faz a mágica acontecer — ele mede o que o ouvido não mede e aplica a equalização e o supressor de microfonia com uma precisão que o ajuste manual não alcança. Faça a sua parte que o TuneBox faz o resto. Vamos lá:
1. Microfonia não é "uma frequência azarada" — é física
O apito acontece em qualquer frequência onde o som da caixa volta pro microfone em fase e se realimenta. E quanto mais microfones abertos e mais caixas ligadas, mais caminhos de realimentação existem — dois alto-falantes tocando juntos microfonam muito mais cedo que um sozinho. Regra de ouro: menos é mais. Feche os canais que não estão em uso e avalie se toda caixa ligada é realmente necessária.
2. Distância é seu melhor supressor (e é de graça)
A energia cai com o quadrado da distância: um microfone a 4 m da caixa recebe cerca de ¼ do ganho de realimentação que receberia a 2 m. Afaste os microfones das caixas o máximo que o evento permitir. E cuidado com reflexões fortes — caixa e microfone "apontados" pro mesmo piso ou parede de pedra criam um caminho de retorno que também microfona.
3. Use a "surdez" do microfone a seu favor
Microfone cardioide rejeita o som que vem por trás; hipercardioide rejeita em ângulos específicos. Posicione de forma que o ponto de menor captação do microfone aponte para as caixas — e nunca deixe microfone na frente da caixa, onde o ganho é máximo. Se usa microfone omnidirecional no púlpito e sofre com apito, trocar por um direcional já muda o jogo.
4. Posicionamento das caixas: volume de graça
Caixa encostada na parede ganha +6 dB (o som que iria pra trás volta pra frente); no canto, ganha +12 dB — sem gastar um watt a mais. Sub sempre no chão e, se possível, no canto. E se tiver dois subs, nunca em lados opostos do ambiente: o grave não tem direção, os dois campos se encontram pelo salão e ora se somam, ora se cancelam — grave forte num lado, sumido no outro. Dois subs? Juntos, lado a lado.
5. O agudo sai num facho de ~60°
O grave vai pra todo lado, mas médios e agudos saem num feixe estreito. Quem fica fora dele ouve som abafado. Caixa elevada na altura do ouvido, apontada pro centro da congregação.
6. O ring-out bem feito (antes do evento)
Com o sistema montado, suba o ganho devagar até o limiar do apito e corte fino (Q alto) só na frequência culpada. Detalhes que quase ninguém faz e mudam tudo: com corais e bandas, peça para os vocalistas ficarem nas posições deles enquanto você sobe o ganho até a microfonia aparecer — só o ato de se aproximar do microfone já revela frequências que não apitariam com o ambiente vazio. E atenção: se todos os seus cortes estão se agrupando na mesma região, o problema não é microfonia, é equalização — resolva o EQ primeiro e refaça o teste.
7. Ambiente vazio ≠ ambiente cheio
A sala responde diferente com o público presente: o público absorve som e muda as frequências problemáticas. O ajuste da véspera à tarde nunca vai ser perfeito no dia do evento lotado — deixe alguns dB de folga em vez de operar no limite do ganho (operar colado no limiar da microfonia distorce o timbre do sistema inteiro, mesmo sem apitar).
8. A regra dos 3:1 — a conta que salva coral e banda com vários microfones
Quando dois microfones captam o mesmo ambiente, a distância entre eles deve ser pelo menos 3 vezes a distância de cada microfone à sua fonte. Exemplo prático: se o microfone do vocalista está a 20 cm da boca dele, o microfone vizinho (do outro cantor, do violão) precisa estar a pelo menos 60 cm de distância. Isso garante que o som "vazado" chegue ao microfone vizinho uns 9 dB mais fraco que o som principal — o suficiente para evitar os cancelamentos de fase que deixam a soma dos canais oca e sem corpo. Num coral: cada cantor perto do seu microfone, e microfones bem espaçados entre si.
9. No coral, menos microfone é mais (de novo)
Parece contraditório, mas 8 microfones espalhados na frente de um coral de 16 vozes costumam soar pior que 2 bem posicionados. A voz de cada cantor entra em todos os microfones, cada uma com um atraso diferente — e quando você soma tudo na mesa, vira uma teia de cancelamentos: som distante, grave fino, timbre deformado. Um par de microfones cardioides juntos no centro (ou um por naipe, respeitando a regra 3:1) resolve com muito mais limpeza. E de quebra: menos microfones abertos = menos microfonia (lembra do item 1?).
10. Vocalista colado no microfone = menos microfonia
Quanto mais perto a boca está da cápsula, mais forte o sinal entra — e menos ganho você precisa dar no canal. Menos ganho no canal = mais margem antes do apito. Ensine os vocalistas a cantar perto do microfone (um palmo ou menos) em vez de compensar distância com ganho na mesa. É a lei do inverso do quadrado (item 2) trabalhando a favor: perto da fonte ela multiplica o sinal útil; longe da caixa ela reduz o retorno indesejado.
11. Nenhum equalizador conserta reverberação
Se o ambiente tem eco longo, a fala vira sopa antes de chegar ao fundo — e isso é um problema de acústica, não de frequência. EQ corrige o equilíbrio tonal; não consegue "apagar" reflexões. O que resolve: absorção (cortinas grossas, painéis, até o próprio público), difusão, e falar/cantar mais perto do microfone para aumentar a proporção de som direto sobre o reverberado. Faça o que puder pelo ambiente antes de pedir milagre ao processamento.
12. Antes de posicionar qualquer microfone: ouça com os próprios ouvidos
Caminhe ao redor da fonte — do violão, do amplificador, do naipe do coral — e escute onde o som é mais equilibrado. Esse ponto de melhor escuta natural é quase sempre o melhor ponto de partida para o microfone. O medidor e o analisador vêm depois; o ouvido vem primeiro. E anote o que funcionou (posição, distância, ângulo): na próxima montagem no mesmo lugar, você começa na frente.
A seguir, a mesma jornada do app: você prepara a sala, o TuneBox escuta e diagnostica, sugere um caminho, você escolhe, ele mede e corrige, e leva tudo para o Ao Vivo. Siga na ordem ou pule para o tema que interessa.
Antes de tudo: por que o mesmo som fica diferente em cada lugar?
Toda sala "responde" ao som de um jeito. Paredes, teto, piso e até as pessoas reforçam alguns sons e engolem outros. Por isso a mesma caixa soa cheia em casa e abafada numa quadra. Tudo o que vem a seguir existe para domar essa resposta — e é exatamente o que o TuneBox faz: ele escuta como o som chega ao ouvido de quem está na pista e corrige. Seu papel é preparar bem a sala para essa escuta. Vamos por partes.
Posicione as caixas e o microfone
Posição errada cria problemas que equalizador nenhum resolve. Posição certa dá volume de graça — e é o que o TuneBox precisa para escutar a sala direito.
Montando o sistema para medir (0:55)
O som cansa rápido com a distância
Cada vez que a distância até a caixa dobra, o volume cai 6 dB — na prática, metade do impacto. Quem está a 1 metro ouve o dobro de quem está a 2; quem está a 2, o dobro de quem está a 4.
Conclusão prática: não deixe a caixa colada na primeira fileira. Quanto mais longe ela estiver do ouvinte mais próximo, menor a diferença entre quem está perto e quem está longe — a meta é essa diferença não passar de 6 dB no ambiente todo.
Parede e canto: volume de graça
Uma caixa no meio da sala espalha o som em todas as direções e soa mais fraca. Encostada na parede, o som que iria para trás volta para a frente: +6 dB. Num canto, duas paredes ajudam: +12 dB — o dobro do dobro, sem gastar um watt a mais.
Dica de ouro: subwoofer sempre no chão e, de preferência, num canto. Como os graves se espalham para todo lado, eles preenchem o ambiente com facilidade — e o canto dá aquele empurrão grátis.
O facho dos agudos: aponte para o público
Aqui mora um segredo: os graves vão para todo lado, mas os agudos saem num facho estreito, de uns 60°. Quem fica fora do facho ouve um som fraco e abafado. Por isso as caixas ficam elevadas, na altura dos ouvidos (ou um pouco acima), e você aponta o eixo de cada uma para o centro da plateia. Alinhe os fachos de todas as caixas para cobrir a maior área possível do salão.
O microfone precisa ficar dentro do facho de TODAS as caixas
O TuneBox escuta a sala por um microfone parado num ponto. Para a medição valer, esse ponto tem que estar dentro do facho de todas as caixas ao mesmo tempo — na zona onde os fachos se cruzam. Se o mic ficar fora do facho de alguma caixa, o app "ouve" aquela caixa fraca e abafada e corrige errado. Coloque o mic mais ou menos onde vai estar o público, na região central onde os sons se encontram.
Subwoofer: junte, nunca separe em lados opostos
O grave é omnidirecional: sai para todos os lados por igual, não tem "facho". Isso cria uma armadilha quando há dois subwoofers afastados um do outro: os dois graves se encontram pela sala e, dependendo do ponto, chegam juntos (e se reforçam) ou defasados (e se anulam). O resultado é um salão manchado — grave forte num lugar, sumido logo ao lado. A solução é simples: deixe os dois subs juntos. Assim eles se somam em todo canto, sem manchas.
O microfone: de medição ou o seu?
É pelo microfone que o TuneBox enxerga a sala. Que microfone você usa muda o quanto ele enxerga certo.
Escolhendo o microfone de medição (0:37)
O ouvido honesto
Microfone de cantar é feito para soar bonito, não para medir — ele "tempera" o som, realçando umas faixas e escondendo outras. Um microfone de medição faz o oposto: escuta tudo de forma neutra, honesta. É a peça mais importante para um bom resultado, porque o TuneBox só corrige bem aquilo que consegue enxergar sem distorção.
Posso usar o meu microfone?
Pode. O TuneBox deixa você escolher entre um microfone de medição e um microfone comum que você já tenha. Se usar o seu, o app corrige boa parte da "coloração" dele — mas com ressalvas honestas: quanto mais o microfone foge do neutro, menos certeira fica a correção, principalmente nos extremos (grave bem profundo e agudo bem no alto). A tabela abaixo mostra o que dá para esperar de cada tipo.
| Tipo de microfone | Como mic de medição | Serve para medir com subwoofer? |
|---|---|---|
| A — CondensadoresAT2020, AT2035, NT1-A, C-1, C-2, MXL 770, MXL 990, Samson C01, AKG P120 | Boa alternativa ao mic de medição | Sim, a alguns metros da caixa (não colado) |
| B — Dinâmicos de instrumentoSM57, AKG D5, Sennheiser e835/e845 | Aceitável | Só na região de encontro com o sub (~60–120 Hz). Grave bem profundo (<40 Hz): não |
| C — Dinâmicos vocaisSM58, Beta 57A, Beta 58A (e clones) | Aceitável, só sem subwoofer | Não |
"A alguns metros" = medir a distância, não com o microfone colado na caixa. Microfones dinâmicos de cantar não alcançam o grave profundo, por isso não servem para calibrar um subwoofer.
Acerte os níveis (para a medição valer)
Antes de medir, duas coisas: todas as caixas no mesmo volume, e nada entrando distorcido.
Calibração de níveis (85 dB) (1:47)
Todas as caixas no mesmo volume
Antes de medir, deixe todas as caixas tocando no mesmo volume. Se uma está mais alta que a outra, o TuneBox mede um retrato torto da sala e a correção sai desequilibrada — sem falar que a cobertura fica desigual para o público. Igualar os níveis é o ponto de partida de tudo.
Volume de referência: confira com o celular
Para medir certo, o TuneBox pede um volume de referência (em torno de 85 dB) e te orienta a conferir com um aplicativo de decibelímetro no celular — qualquer um serve. É rápido, garante uma medição confiável e evita exageros que cansam o ouvido do público.
Nível de captação: o inimigo é o clip
Todo som digital tem um teto. Quando o sinal que entra passa desse teto, o topo da onda é literalmente cortado — é o clip digital. Ele vira uma distorção áspera que nenhuma correção depois consegue tirar, porque a informação foi perdida logo na entrada. O som percorre uma corrente (fonte → mesa → interface → caixas); se distorce na entrada, todas as etapas seguintes carregam a distorção junto.
A regra de ouro: ajuste o ganho de entrada com o som no volume real do evento e deixe uma folga para os picos (a batida do bumbo, por exemplo). O alvo é o pico ficar entre −12 e −6 dBFS — perto do teto, mas sem encostar nele. A luzinha de CLIP nunca pode acender.
O app escuta e diagnostica
Com a sala preparada e os níveis certos, o TuneBox toca um som de teste, escuta como o ambiente devolve e tira o retrato da sala. É aqui que ele descobre o que precisa consertar.
Diagnóstico do ambiente (reverberação) (1:09)
O que é reverberação
Quando você fala num banheiro azulejado, a voz parece "continuar" um instante depois de você calar. Isso é reverberação: a sala segura a energia do som e a devolve aos poucos, nas reflexões das paredes, do teto e do piso. Toda sala tem um pouco disso. Uma sala "seca" (com cortinas, sofás, gente) devolve rápido; uma sala "viva" (quadra, igreja, salão vazio) segura o som por muito mais tempo — a cauda demora a sumir.
Por que isso atrapalha
Quando a cauda de um som ainda está tocando e o próximo já chega, os dois se misturam. Na música dá aquele "embolado"; na fala é pior: as sílabas se atropelam e ninguém entende direito. Quanto maior e mais vazio o salão, mais longa a cauda — por isso voz em quadra ou igreja grande, sem tratamento, vira um borrão.
O diagnóstico do app
O TuneBox toca um som de teste pelas caixas, escuta a cauda e mede quanto tempo o som leva para sumir. Com isso ele classifica a sala — mais seca ou mais reverberante. Você não precisa decorar nenhum número: o importante é que esse retrato vira, na próxima estação, uma recomendação de como distribuir o som pelas caixas.
Escolha a topologia
Topologia é só o jeito de distribuir o som pelas duas saídas — o que cada caixa toca. Com o diagnóstico na mão, o TuneBox sugere o melhor arranjo para a sua sala e explica o porquê. A palavra final é sua.
Topologia e ligações das caixas (1:01)
O app sugere, você decide
O TuneBox olha o diagnóstico (o tanto de eco da sala) e o seu equipamento (se há subwoofer, se o microfone mede o grave) e já vem com uma recomendação marcada, com o motivo em uma frase. Se você discordar, é só escolher outra: a sugestão é sempre um ponto de partida, nunca uma imposição. Existem três arranjos úteis.
Estéreo L / R
As duas caixas tocam o som completo — grave e agudo — uma para a esquerda, outra para a direita, como no som de casa. Simples e direto. Se você tiver subwoofer, ele entra em paralelo, tocando o mesmo grave junto. É o arranjo natural para salas menores e pouco reverberantes.
PA + Subwoofer (com corte)
Aqui o trabalho é dividido: as caixas principais (a "PA") cuidam do médio e do agudo, e o subwoofer cuida só do grave. O TuneBox acha sozinho o ponto de corte — a fronteira onde um assume e o outro larga. Cada um trabalha na faixa em que é bom, e sobra folga para tocar mais alto sem esforço. É o arranjo quando você tem um sub e um microfone que mede o grave com confiança.
PA + Reforço com atraso (Fill)
Num salão comprido, quem está lá atrás ouve a caixa da frente fraca e atrasada. A solução é uma segunda caixa mais para o meio (o "fill", reforço) para quem está longe. Só que o som da frente leva um tempinho para chegar até lá — então o TuneBox faz o reforço esperar esse tempinho (o atraso, Δt) e disparar no instante exato em que o som da frente passa por ele. Assim os dois chegam juntos ao ouvido de quem está atrás, sem eco duplo, e a fala volta a ser entendível. É o arranjo para salas reverberantes e compridas.
Como o app escolhe
A lógica segue uma ordem simples de prioridades: se a sala tem muito eco, o reforço com atraso vence, porque o que mais importa ali é a fala ser entendida. Se não é o caso, mas você tem subwoofer (e um microfone que mede o grave), ele vai de PA + Sub, para cada faixa ser tratada por quem toca melhor. Sobrando as duas coisas, fica no Estéreo, que é o mais simples. E, de novo: a recomendação é sempre sobreponível.
O app mede e corrige
Escolhida a topologia, o TuneBox mede caixa por caixa e conserta o som — sozinho. Seu trabalho aqui é quase nenhum: só deixar o caminho limpo antes de ele começar.
Calibração da resposta (a mágica) (1:37)
Meça o som cru
Antes de medir, desligue os "embelezadores": aquele realce de graves do player, o "enhancer", os efeitos de ambiente, o modo "rock/pop" da mesa. Eles enfeitam o som — e se o TuneBox medir por cima do enfeite, corrige a coisa errada. Ele precisa ouvir o sistema como ele realmente é, cru, para saber o que a sala fez. O tempero volta depois, no Ao Vivo.
Equalização: tira o que sobra, repõe o que falta
O TuneBox compara o que mediu na sala com o som ideal (equilibrado, sem faixa sobrando nem faltando). Onde a sala reforçou demais uma faixa, ele corta; onde engoliu, ele repõe com cuidado. É a equalização — só que automática e medida, não no "achismo". O resultado é o som que você conhece de casa, agora no salão real.
Alinha o corte e o atraso
Se a sua topologia tem subwoofer ou reforço, é neste passo que o TuneBox acerta também o ponto de corte (a divisa PA/sub) e o atraso do fill — os mesmos que você viu na estação anterior, agora calculados a partir da medição real, não no olho.
Depois, colore a gosto
A correção deixa o som neutro e honesto — o ponto de partida certo. A partir daí, o gosto é seu: mais grave para a pista, mais brilho para o pop. Isso acontece no Ao Vivo, com controles simples e em tempo real, sem desfazer a correção. É o assunto da próxima e última estação.
Ao Vivo: toque, tempere e proteja
Com o som corrigido, começa o show. No Ao Vivo você toca, dá o tempero final ao seu gosto e conta com uma rede de proteção contra a microfonia — tudo em tempo real.
Preparando o Ao Vivo: driver e fonte de sinal (2:18) O cockpit ao vivo (1:42)
Coloração: o tempero é seu
A correção deixou o som neutro e honesto. Agora, se quiser, você tempera: três controles simples — grave, médio e agudo — mexem no som na hora, sem botão de "aplicar" e sem desfazer a correção. Eles começam no zero (som neutro); puxe o grave para cima numa festa, realce o agudo num pop. É o acabamento a gosto, e você ouve a mudança no mesmo instante.
Nível de entrada: continue longe do clip
Vale no Ao Vivo a mesma regra da medição: o sinal que entra tem que ficar longe do teto, com folga para os picos. O TuneBox carrega um limitador de segurança que impede o estouro na saída — mas ele é a última linha de defesa, não uma muleta para empurrar volume. Se você força tudo contra o limitador, o som fica achatado e cansa o ouvido. Deixe a folga: o limitador é o cinto de segurança, não o acelerador.
Latência: quando ela importa (e quando não)
Latência é o pequeno atraso entre o som entrar e sair do computador. Ela só incomoda quando alguém canta ou toca no microfone e se ouve pelo retorno: um atraso grande faz a voz voltar "descolada" e atrapalha quem está no palco. Para esse caso — banda, controladora — use o modo ASIO (driver de som do fabricante da interface de áudio — precisa instalar antes de usar), que deixa a latência bem curta (se a sua interface não tiver ASIO, o programa gratuito ASIO4ALL resolve). Já quando o computador é o próprio player (você só toca as músicas e ninguém se monitora), a latência não faz diferença nenhuma, e o modo WASAPI (driver de som nativo do Windows — sempre presente) dá conta. O TuneBox indica qual caminho usar.
Microfonia: o apito, e como o app o desarma
O apito agudo que surge do nada é a microfonia (o efeito Larsen): o som da caixa entra no microfone, é amplificado, sai de novo pela caixa, volta ao microfone... e num instante vira um assobio insuportável. O TuneBox tem um supressor (AFS) que trabalha no microfone: ele identifica exatamente a frequência prestes a apitar e abaixa só aquela faixa, com um corte fino e cirúrgico, sem mexer no resto do som. O ganho prático é direto — como os pontos de apito ficam controlados, você tem margem para subir o volume do microfone mais do que conseguiria sem ele. Na preparação, um rápido "ring-out" (subir o ganho até beirar o apito) deixa o supressor pronto.
Para quem quer ir mais fundo
Conceitos que ficam fora da jornada principal, mas ajudam a entender o porquê das coisas. Abra o que te interessar — nada aqui é obrigatório para usar o TuneBox.
Amplificador e watts
O amplificador pega o sinal fraquinho que sai da mesa ou do computador e dá força para mover os alto-falantes. Essa força é medida em watts (W). A regra é casar a força do amplificador com o que as caixas aguentam — força demais machuca, de menos distorce.
Impedância: a "resistência" das caixas
Cada caixa resiste um pouco à força do amplificador. Essa resistência se chama impedância e é medida em ohms (Ω). O pulo do gato: quanto menor a impedância, mais potência o amplificador entrega — um amplificador que dá 500 W numa caixa de 8 Ω entrega 1000 W em 4 Ω. Mas há um limite sagrado: nunca ligue caixas com impedância menor que o mínimo escrito no manual do amplificador. É como provocar um curto-circuito: pode queimar tudo.
A potência aproximadamente dobra cada vez que a impedância cai pela metade, até o mínimo que o amplificador suporta:
| Impedância da caixa | Potência entregue (exemplo) |
|---|---|
| 8 Ω | 500 W |
| 4 Ω | 1000 W |
| 2 Ω | 2000 W — só se o manual permitir |
Decibéis a fundo
Decibel (dB) mede "quão alto" está o som. A escala é esperta: para o nosso ouvido perceber o som duas vezes mais alto, são precisos +10 dB — e isso custa dez vezes mais potência elétrica. É por isso que watts somem rápido: volume é caro.
| Variação | Potência elétrica | Percepção |
|---|---|---|
| +3 dB | 2× a potência | aumento leve |
| +6 dB | 4× a potência | aumento notável |
| +10 dB | 10× a potência | "duas vezes mais alto" |
Equipamentos digitais medem o sinal em dBFS, onde 0 é o teto absoluto — acima dele o som é "cortado" e distorce. A faixa saudável para música é entre −18 e −12 dBFS:
| Região | Nível | Significado |
|---|---|---|
| Acima de −3 | perigo | risco de corte (clip) |
| −6 a −3 | quente | só picos eventuais |
| −18 a −6 | trabalho | nível ideal |
| Abaixo de −24 | fraco | o sinal se perde no chiado |
O mapa do som: do ronco ao brilho
Todo som audível vive entre 20 Hz e 20.000 Hz. Graves dão o peso (bumbo, baixo), os médios são onde mora a voz, e os agudos trazem o brilho (pratos, detalhes). Quando um pedaço sobra ou falta, o som incomoda — e abaixo de 20 Hz existe o infrassom: ninguém ouve, mas ele gasta potência e maltrata os alto-falantes; por isso se corta com um filtro (low-cut).
Oitavas: a régua musical
Quando a frequência dobra, sobe-se uma oitava — o Lá de 440 Hz vira o Lá de 880 Hz, a mesma nota mais aguda. É daí que vem o famoso equalizador de 31 bandas: o espectro fatiado em terços de oitava.
Equalizador gráfico × paramétrico
O gráfico é um painel de faders fixos: visual e rápido, mas as faixas são pré-definidas. O paramétrico é um bisturi: você escolhe a frequência exata, a largura do ajuste (Q) e o ganho — perfeito para cortar exatamente o som que incomoda, sem mexer no resto.
Equalizadores analógicos usam circuitos físicos e costumam adicionar um chiado de fundo. Os digitais processam por software: mais precisos, silenciosos e flexíveis. No paramétrico, um Q baixo ajusta uma faixa larga (tempero suave); um Q alto ajusta uma faixa estreitíssima (corte cirúrgico — ideal contra microfonia).
Fase: +6 dB de graça ou silêncio total
Dois sons iguais, chegando juntinhos no tempo, se somam: +6 dB de graça. Os mesmos dois sons, com um deles atrasado meio ciclo (180°), se anulam: é o cancelamento de fase — o famoso grave que "some" em certas partes da pista.
Entre o céu e o inferno há uma escala: 0° de atraso = +6 dB; 90° = +3 dB; 120° = neutro; e entre 120° e 240° fica a zona crítica do cancelamento (180° = anulação total). Muitas vezes a correção é simples: inverter a fase de uma das vias. E é por isso que subwoofers afastados um do outro são arriscados: a distância entre eles cria atrasos diferentes em cada ponto da pista.
Crossover: o porteiro do som
O crossover divide o sinal: os graves vão para o subwoofer, o resto vai para as caixas principais. Assim cada alto-falante trabalha só na faixa em que é bom — som mais limpo e alto-falantes protegidos. Um ponto de corte em torno de 150 Hz é um bom começo quando o manual não diz nada.
O crossover ativo divide o sinal antes da amplificação (cada via com seu amplificador — mais controle); o passivo divide depois, dentro da caixa. Perto do ponto de corte, sub e caixas tocam as mesmas frequências ao mesmo tempo — a região de sobreposição, onde mora o risco de cancelamento. Por isso a recomendação clássica: filtros Linkwitz-Riley de 12 dB/oitava, projetados para essa região se somar direitinho. Quanto mais íngreme o filtro (18, 24 dB/oitava), maior o desvio de fase e mais difícil o alinhamento.
Phantom power: respeite essa chave
É uma energia que a interface manda pelo cabo para alimentar o microfone de medição. Depois de medir, ao trocar para tocar música, é preciso desligar essa energia — o TuneBox avisa na hora. Ligá-la no equipamento errado pode danificar aparelhos.
Como ligar tudo: o mapa das ligações
Em todos os cenários, a espinha dorsal é a mesma: o computador conversa com a interface pelo cabo USB, e a saída da interface alimenta o seu sistema (mesa ou caixas ativas). O que muda é o que entra na interface:
Calibrando a sala
O microfone de medição entra na interface, com o phantom (48V) ligado. A saída da interface alimenta o sistema. O TuneBox toca os sinais de teste pelas caixas e escuta a sala pelo microfone.
Música no próprio computador
O player (um programa de DJ, por exemplo) toca no mesmo computador. O TuneBox captura esse som por dentro, aplica a correção e entrega pela saída da interface ao sistema. Nenhum cabo de entrada é necessário.
Música vinda de fora
A controladora ou mesa de som entra por cabo na entrada da interface. O TuneBox corrige em tempo real e devolve pela saída ao sistema. Phantom desligado — equipamento de linha não usa essa energia.
Você escolhe o cenário na tela de operação do TuneBox, e o assistente confirma as ligações passo a passo.
Quem escreveu isto
Esta página foi escrita pelo criador do TuneBox: técnico de som com quase três décadas de estrada e autor dos livros "Alinhamento de Som com REW" e "Gravação, Mixagem e Masterização com REAPER". O TuneBox nasceu dessa experiência: tudo o que estas páginas ensinam a fazer manualmente — medir, equalizar, alinhar tempos e níveis — o aplicativo faz por você, no seu evento, em minutos.